{"id":1990,"date":"2025-05-09T09:41:19","date_gmt":"2025-05-09T12:41:19","guid":{"rendered":"https:\/\/psicult.com.br\/?p=1990"},"modified":"2025-05-09T09:41:23","modified_gmt":"2025-05-09T12:41:23","slug":"homem-com-h-jornal-nova-epoca-09-05-25","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/psicult.com.br\/index.php\/2025\/05\/09\/homem-com-h-jornal-nova-epoca-09-05-25\/","title":{"rendered":"Homem com H &#8211; Jornal Nova \u00c9poca 09\/05\/25"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"656\" src=\"https:\/\/psicult.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Nova-Epoaca.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1992\" srcset=\"https:\/\/psicult.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Nova-Epoaca.png 1024w, https:\/\/psicult.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Nova-Epoaca-300x192.png 300w, https:\/\/psicult.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Nova-Epoaca-768x492.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Assisti ao filme \u201cHomem com H\u201d, uma biografia autorizada do cantor Nei Matogrosso, um s\u00edmbolo de coragem e ousadia. O excelente filme me fez rir, discretamente, pelo atrevimento de uma hist\u00f3ria com tanta clareza, sem subterf\u00fagios ou met\u00e1foras. Algumas cenas me fizeram chorar, quietinho. Por \u00f3bvio, lembrei de hist\u00f3rias que vivi e de muitos que, como eu, viveram os alucinados anos 70, 80, 90, derrubando portas para n\u00e3o serem pisoteados pelo preconceito, que ainda em 2025 provoca suic\u00eddios, na mesma Canela que foi e \u00e9 palco de dolorosas cenas de desprezo humano.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como Nei Matogrosso, achei mais indicado seguir o poema do Vinicius de Moraes que prop\u00f5e: \u201cpensem nas feridas como rosas c\u00e1lidas\u201d e, por isso, hoje escrevo sobre aqueles que, com frases e gestos, s\u00e3o capazes de transformar o pior dos dramas e, por isso, s\u00e3o imprescind\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>Assistindo ao filme, lembrei que, aos 7 anos, pela primeira vez, ouvi a acusa\u00e7\u00e3o vinda de um garoto, de que eu era veado e, por essa raz\u00e3o, ele n\u00e3o sentaria ao meu lado. Eu, sem saber o que aquilo significava, senti um medo paralisante por aquela amea\u00e7a e s\u00f3 fiz chorar, pensando em nunca mais pisar naquela Escola Jo\u00e3o Correa. Fui socorrido pela professora Noeli Souza, que me abra\u00e7ou e disse: \u201cN\u00e3o se preocupe, eu estou contigo e ele nem sabe o que diz.\u201d Algum tempo depois, dona Noeli definiu que eu desfilaria, na Semana da P\u00e1tria, fantasiado de Santos Dumont, o pai da avia\u00e7\u00e3o que, anos depois, foi identificado como gay. A frase e o gesto daquela amorosa professora me permitiram voar com coragem e foram minha primeira motiva\u00e7\u00e3o para o teatro.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"654\" src=\"https:\/\/psicult.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-1024x654.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1991\" srcset=\"https:\/\/psicult.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-1024x654.png 1024w, https:\/\/psicult.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-300x192.png 300w, https:\/\/psicult.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-768x490.png 768w, https:\/\/psicult.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image.png 1032w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Alguns anos mais tarde, um dos meus sobrinhos ficou por um bom tempo observando meu teatral amigo Paulo e segredou, baixinho, para sua m\u00e3e: \u201cEle \u00e9 gay.\u201d Ela riu e lhe perguntou: \u201cE o que isso significa?\u201d Rodrigo respondeu: \u201cN\u00e3o sei, mas ele \u00e9.\u201d Minha cunhada Zalete respondeu, matando o preconceito na raiz: \u201cN\u00e3o te preocupes, isso n\u00e3o tem a menor import\u00e2ncia.\u201d E aquela crian\u00e7a, serena, brincou e riu com seu novo amigo, com o carinho que lhe \u00e9 peculiar.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos anos depois, recebi um diagn\u00f3stico aterrorizante e, sem saber o que fazer, dividi aquele pesadelo com meu irm\u00e3o Jo\u00e3o Paulo, que, chorando, abra\u00e7ou comigo e falou: \u201cN\u00e3o te assuste, a gente vai enfrentar juntos.\u201d Essa foi a receita para um complicado e demorado tratamento. Passados 30 anos, todos os dias, esse gesto est\u00e1 presente e orienta meus passos.<\/p>\n\n\n\n<p>Estou preparado para retribuir a riqueza que a vida oferece e, sem a voz incr\u00edvel do Nei Matogrosso, me dedico a acolher, no consult\u00f3rio ou nos projetos sociais que me envolvo, a todos que me procuram em sofrimento porque, convenhamos, ainda hoje, a exist\u00eancia nem sempre \u00e9 generosa com quem se atreve a ser o que \u00e9. N\u00e3o perca o filme\u2026<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.jornalnovaepoca.com.br\/homem-com-h\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cr\u00e9ditos para o Jornal Nova \u00c9poca<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>#JornalNovaEpoca #Psicult #Humanidades #HomemComH<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assisti ao filme \u201cHomem com H\u201d, uma biografia autorizada do cantor Nei Matogrosso, um s\u00edmbolo de coragem e ousadia. O excelente filme me fez rir, discretamente, pelo atrevimento de uma hist\u00f3ria com tanta clareza, sem subterf\u00fagios ou met\u00e1foras. Algumas cenas me fizeram chorar, quietinho. Por \u00f3bvio, lembrei de hist\u00f3rias que vivi e de muitos que, &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/psicult.com.br\/index.php\/2025\/05\/09\/homem-com-h-jornal-nova-epoca-09-05-25\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Homem com H &#8211; Jornal Nova \u00c9poca 09\/05\/25<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1990","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/psicult.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1990","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/psicult.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/psicult.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/psicult.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/psicult.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1990"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/psicult.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1990\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1993,"href":"https:\/\/psicult.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1990\/revisions\/1993"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/psicult.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1990"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/psicult.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1990"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/psicult.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1990"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}